Eu escrevo textos incríveis sobre coisas incríveis e isso é direção.
Quando eu escrevo, eu não estou só escolhendo palavras. Eu estou escolhendo o que merece existir. Estou pegando aquilo que passa rápido demais – um olhar, uma memória, um detalhe que ninguém reparou – e dizendo “fica”. Eu dou forma ao que era confuso, dou nome ao que era só sentimento, dou corpo ao que parecia invisível. Eu não escrevo para enfeitar o mundo. Eu escrevo para enxergar o mundo. E para me enxergar nele.
Tem dias em que eu sinto que sou feito de camadas. Uma parte que quer ser forte, outra que precisa ser acolhida. Uma parte que tem pressa, outra que sabe que tudo tem seu tempo. E escrever é o lugar onde essas partes se encontram. No texto, eu me escuto sem interrupção. Eu me explico sem me justificar. Eu me encaro sem máscara, porque no papel não existe a obrigação de parecer bem, existe só a possibilidade de ser verdadeiro.
E é assim que eu vou entendendo quem eu sou.
Eu sou a soma das coisas que me atravessam e, principalmente, da forma como eu escolho traduzi-las. Quando eu escrevo sobre coisas incríveis, eu treino meu olhar para o extraordinário. Eu me recuso a viver no modo automático. Eu reaprendo a sentir. Eu lembro que beleza não é luxo, é combustível. É ferramenta de sobrevivência. É uma forma de manter acesa a parte de mim que o cansaço tenta apagar.
Mas escrever também me mostra quem eu quero ser.
Porque toda vez que eu coloco um texto no mundo, eu estou fazendo uma promessa silenciosa: eu vou ser alguém que presta atenção. Alguém que transforma. Alguém que não aceita o óbvio como destino. Eu quero ser a pessoa que encontra sentido no caos, que encontra ternura no concreto, que encontra uma saída mesmo quando a história parece sem final feliz.
Eu quero ser alguém que melhora o mundo sem precisar gritar, melhorando o que está ao alcance: uma ideia, uma conversa, um dia de alguém.
E talvez seja isso que mais me toca: escrever me faz responsável. Eu percebo que palavras têm peso. Elas podem machucar, podem curar, podem empurrar alguém para um lugar escuro ou puxar alguém de volta para a luz. Quando eu entendo isso, eu entendo o meu papel. Eu não controlo o mundo inteiro, mas eu posso influenciar o pedaço de mundo que encosta em mim.
E eu escolho que esse pedaço seja mais humano.
Escrever me ajuda a colocar ordem naquilo que eu acredito. Me ajuda a não me perder quando tudo muda. Me ajuda a lembrar do que é essencial: o amor que eu quero oferecer, a coragem que eu quero ter, a gentileza que eu quero praticar, o perdão que eu preciso aprender. Me ajuda a medir meus passos pelo que eu considero certo, não pelo que é fácil.
No fundo, eu escrevo porque eu quero ser melhor sem fingir que sou perfeito.
Eu escrevo porque eu quero deixar rastros bons.
Eu escrevo porque eu acredito que um texto pode ser uma ponte. E porque, enquanto eu escrevo, eu vou virando a pessoa que eu estava procurando.
Eu escrevo textos incríveis sobre coisas incríveis porque isso é o meu jeito de construir um mundo melhor: palavra por palavra, verdade por verdade, escolha por escolha, até que eu me reconheça no caminho e o caminho reconheça em mim alguém que fez valer a pena.

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