O amor, Curitiba, despedida e o final do nosso tempo

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Estou indo embora de Curitiba.

E dizer isso em voz alta parece simples, mas por dentro é como fechar um livro que eu amei ler devagar. Seis anos não cabem num “tchau”. Seis anos têm cheiro de chuva no asfalto, têm céu baixo e guarda-chuva esquecido, têm cafés em dias frios, têm ruas que viraram caminho de casa mesmo quando eu ainda não sabia onde era “casa”.

Curitiba foi mais do que uma cidade em que vivi. Foi uma fase inteira da minha vida em que eu aprendi a amar de verdade, às vezes com coragem, às vezes com medo, às vezes com aquela entrega que a gente só tem quando percebe que viver vale o risco. Aqui eu fui feliz. De um jeito real. Com alegrias pequenas e grandes, com risadas que vieram do nada, com noites em que o coração ficou leve o suficiente pra acreditar que tudo ia dar certo.

O amor veio comigo, mas também partiu sem mim. Eu conheci pessoas incríveis. Fiz amigos que não foram só companhia, foram testemunhas da minha versão mais humana. Em Curitiba, eu não apenas passei, eu me fiz. Eu fiz pessoas felizes também. Eu fui cuidado e eu cuidei. Eu fui casa pra alguém. E isso, no fim, é o que fica: o que a gente entrega aos outros é o que volta pra gente em forma de lembrança boa.

Partir é admitir que a vida não estaciona. Que a gente tem que ter a coragem de mudar de cenário sem apagar o que foi vivido (você me disse isso, lembra?). Tem rua que guarda promessas, tem lugar que conhece a gente pelo nome, tem história que ficou pendurada em cada esquina.

E talvez essa seja a maior descoberta desses seis anos: existe um lugar especial pra nós em todos os cantos do mundo. Não é o mapa que decide, mas a forma como a gente chega. É o que a gente constrói. É a maneira como a gente se permite pertencer. Um lugar especial acontece quando a gente tem coragem de ser verdadeiro, de amar, de se abrir, de tentar de novo. A cidade vira detalhe quando o coração aprende o caminho.

Então eu vou levando na bagagem aquilo que não pesa: a felicidade que eu encontrei aqui, o amor que eu vivi, as pessoas que eu abracei, as versões de mim que nasceram neste frio bonito. Vou levando a certeza de que recomeçar não é perder, é continuar.

Esse tempo aqui me mostrou que o mundo é grande, mas o nosso lugar no mundo pode caber em qualquer esquina, desde que a gente tenha coragem de existir por inteiro.

Eu estou indo embora.

Mas uma parte de mim fica aqui, em cada canto desse lugar.

E uma parte de Curitiba vai comigo, pra sempre.


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