Ao mundo o seu dom

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Existe uma espécie de injustiça silenciosa quando a gente guarda demais aquilo que recebeu. Não porque seja errado ter algo só seu, mas porque certos dons não foram feitos para morar num cofre. Eles foram feitos para circular. Para virar ponte. Para acender outras pessoas. Para ampliar o mundo.

A vida, às vezes, toca a gente com um presente que não cabe só dentro do peito: uma sensibilidade que enxerga o que ninguém vê, uma coragem que não desiste fácil, um jeito raro de acolher, de ensinar, de criar, de liderar, de construir, de curar, de transformar. E o que é um dom, afinal, senão algo que em nós transborda? Algo que, quando fica preso, vira peso. Quando é compartilhado, vira sentido.

Devolver ao mundo não é pagar uma dívida. É honrar uma confiança. É entender que o sonho que pulsa dentro da gente não é só nosso, ele é uma possibilidade coletiva. Um caminho que pode abrir caminhos. A nossa arte pode salvar um dia de alguém. A nossa competência pode gerar dignidade. A nossa palavra pode impedir uma desistência. A nossa presença pode ser o lugar onde outra pessoa respira.

E é aí que mora a beleza: o dom só fica inteiro quando vira serviço, quando vira gesto, quando vira entrega. Porque o mundo melhora não por causa de discursos perfeitos, mas por causa de gente que não enterra o que tem. Gente que não privatiza a própria luz. Gente que decide não ser apenas espectadora do que poderia ter feito.

Guardar um dom por medo de falhar, medo de julgamento, medo de não ser suficiente é humano, mas deixar o medo governar é permitir que a vida fique menor do que ela pode ser. E não é sobre grandeza pública, sobre aplausos. É sobre utilidade amorosa. É sobre fazer o que você carrega por dentro virar algo que beneficia quem merece usufruir: as pessoas ao seu redor, sua família, sua equipe, um desconhecido, uma geração.

Tem coisa que só nasce em você porque o mundo precisa dela do seu jeito. Eu vou dizer de novo: tem coisa que só nasce em você porque o mundo precisa dela do seu jeito. 

Tem sonho que é chamado. E quando a gente entrega multiplica. A gente se sente mais vivo, mais inteiro, mais alinhado com aquilo que a gente veio fazer.

No fim, o que nos foi dado não foi para virar segredo. Foi para atravessar a gente e seguir adiante, fazendo o mundo um lugar melhor do que era antes de nos encontrar.

Tem coisa que só nasce em você porque o mundo precisa dela do seu jeito.

Não te esquece, tá?!


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