Helena tinha os olhos da cor do oceano.
Não desse mar de cartão-postal, mas do outro, imenso, humano, que guarda calmaria e temporal.
O azul nela não era só cor, era distância, era abrigo, era um segredo sem rumor me chamando de “vem comigo”.
Nos olhos dela havia um horizonte que nunca termina, só muda de lugar. Um farol aceso em alguma ponte entre ficar e me deixar.
Eu, que sempre fui mais areia que coragem, aprendi com aquela imensidão: amar é aceitar a viagem mesmo sem mapa na mão.
Porque Helena – e isso eu juro sem medo – não olhava, ela atravessava. E quem entrava naquele enredo virava barco e não voltava.
E até hoje, quando a noite ameaça e o peito pede um sinal, eu fecho os olhos, ouço o som do mar e me lembro:
Helena tinha o oceano no olhar.
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