Até breve

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2025 foi um ano difícil.

Cabeça pesada, noites viradas, pensamentos que não davam trégua. Um daqueles anos em que o corpo até segue, mas a mente arrasta corrente. Em que cada dia útil parece ter uns três dentro dele: o horário comercial, o turno extra de preocupações e o plantão noturno da ansiedade.

Mas, no meio desse caos, tinha uma coisa que insistia em nascer: um novo eu.

Não nasceu bonito, nem pronto, nem organizado. Nasceu no improviso, no “vamos ver se agora vai”, na primeira corrida que parecia simples no papel, mas virou uma luta de cada passo contra o próprio cansaço. Nasceu quando o corredor amador, ainda meio desacreditado de si mesmo, decidiu cuidar da saúde, mesmo tropeçando, mesmo parando para respirar, mesmo sentindo o coração bater forte e a cabeça gritar que era mais fácil desistir.

Porque cada quilômetro corrido em 2025 não foi só sobre distância. Foi sobre provar para mim mesmo que ainda dava pra ir. Que ainda dava pra tentar. Que ainda dava pra reescrever a minha história, mesmo com a cabeça cheia e o mundo pesando.

E aí vieram os shows. Momentos de alívio.

Dois shows do Oasis, como se o tempo abrisse um portal e dissesse: “Toma aqui, essas duas noites pra você lembrar quem você é quando a vida faz sentido”. Aquelas músicas que eu já ouvi mil vezes em casa, no fone, no carro, no trabalho… de repente estavam vivas na minha frente. E eu, no meio da multidão, percebi que muitas das dores de 2025 tinham nome, tinham rosto, tinham refrão. E, por alguns minutos, tudo o que era problema virou coro.

Teve também o show do Linkin Park, catarse pura. Foi grito engolido há anos, foi memória afetiva, foi o adolescente lá de trás encontrando o adulto cansado de hoje e dizendo: “Eu sei, doeu. Mas olha onde você chegou”. Teve suor, empurra-empurra, música alta, coração acelerado e uma sensação meio estranha de alívio, como se parte do peso da cabeça tivesse ficado ali, no meio da plateia, dissolvido em luzes e guitarras.

E teve Twenty One Pilots, com aquele jeito de transformar confusão em arte, angústia em poesia, caos em melodia. Foi como se o show tivesse traduzido 2025: um pouco perdido, um pouco intenso, um pouco bonito demais pra simplesmente ser chamado de “ano difícil”.

Enquanto isso, o trabalho não dava folga.

Muuuito trabalho. Hora extra, responsabilidade, pressão, metas, cobranças. Dias em que eu chegava em casa esvaziado, quase sem energia pra existir. Mas, curiosamente, foi nesse aperto que veio a vontade de virar a chave. Porque o cansaço mostrou um limite, e ali, bem na beira do esgotamento, nasceu uma promessa silenciosa: eu não vou viver assim pra sempre.

2025 foi essa mistura caótica de exaustão e esperança. De mente pesada e coração teimoso. De shows inesquecíveis e dias que você queria apagar. De quilômetros doloridos e vitórias pequenas, quase invisíveis, mas que só você sabe o quanto custaram.

E agora, no fim desse ano, existe um desejo gigante: deixar 2025 na história.

Não como “o pior ano da minha vida”, mas como aquele ponto de virada. O ano em que eu ainda estava meio quebrado, meio perdido, meio cansado, mas decidi, mesmo assim, não me entregar. O ano em que plantei a semente de um novo eu, mesmo sem saber direito como cuidar dela.

2026 ainda é só promessa no calendário, mas dentro de mim já é manifesto.

2026 é o ano em que o corredor amador ganha confiança, em que cuidar da saúde deixa de ser tentativa tímida e vira prioridade. É o ano em que o trabalho continua, mas não engole tudo. Em que a cabeça ainda pesa às vezes, mas você já sabe correr, respirar, pedir ajuda, colocar limites, dizer não. É o ano em que você escolhe ser mais gentil consigo mesmo do que foi em 2025.

2025 vai ficar pra sempre como o ano difícil, sim. Cabeça pesada, sim. Mas também como o ano do Oasis, do Linkin Park, do Twenty One Pilots, das corridas tortas, do aprendizado na marra e da decisão firme: “Eu não vou repetir essa versão de mim pra sempre.”

Que 2026 chegue, então, não pra apagar o que 2025 foi, mas pra honrar tudo o que aguentei e tudo o que decidi mudar.

Porque, no fim das contas, talvez seja isso: alguns anos nos quebram, pra que a gente tenha coragem de se montar diferente.


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