Curitiba não troca de estação, ela coleciona todas no mesmo dia e te entrega sem nota fiscal. Você sai de casa com sol tímido, pede um café para “desenferrujar” a manhã, e quando olha pela janela… voilà: uma garoa dançando na diagonal, empurrada por um vento que veio direto do Polo Sul com passaporte carimbado.
O curitibano raiz já sabe, guarda-chuva é documento. Você pode esquecer a carteira, o crachá, o fone, mas o guarda-chuva? Jamais. Ele é o escudo contra a chuva fina que finge ser educada, o abrigo portátil quando as nuvens decidem reunião extraordinária, a tenda de campanha para atravessar a Rua XV em segurança. E se o sol voltar (porque ele sempre volta, dramático que só), o guarda-chuva vira sombrinha, leque, adereço fashion. Multifuncional como um canivete suíço, versão Araucária.
No Largo da Ordem, o céu muda de humor entre um pastel e outro. No Jardim Botânico, você tira foto com o brilho dourado e na próxima, é neblina cinematográfica. No Barigui, as capivaras nem piscam, já viram de tudo. Enquanto isso, você aprende a coreografia curitibana: abre, fecha, sacode, corre, ri. É quase uma aula de dança contemporânea com trilha sonora de pingos no telhado.
Por aqui o clima é poeta, muda de assunto no meio da frase. E você, com seu guarda-chuva na mão, vira protagonista do poema – seco, sorrindo e pronto para o próximo verso.

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