O sorriso de Messi ao perceber que o passe perfeito vai acontecer

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Outro dia eu assisti a um vídeo onde o Messi percebe uma brecha perfeita (mas que só existe porque ele a criou) para dar um passe entre os zagueiros do time adversário e, imediatamente, abre um sorriso após a constatação que fez em sua cabeça.

Antes do passe, há um pressentimento.

O estádio respira, a marcação fecha, e Messi sorri. É rápido, quase invisível, uma fresta de sol no rosto de quem já viu o mapa inteiro. Ele enxerga o que nós ainda não: a linha que vai se abrir, o companheiro que vai surgir no segundo exato, a bola viajando por um corredor que não existe – ainda.

Esse sorriso é senha.

É o “achei” dito em silêncio. É a promessa de que a física vai ter trabalho. Ele baixa o centro de gravidade, colhe a bola como quem segura um segredo e espera meia batida de coração. Os passos ao redor são barulho. O dele, metrônomo. O relógio do jogo gira, mas o relógio de Messi dobra.

Então o gesto acontece.

Sem muita força, sem muito enfeite. Um toque com assinatura, milimétrico, que atravessa pernas, sombras e dúvidas. A bola passa por entre parênteses do impossível e cai no pé do parceiro como se sempre tivesse pertencido àquele destino. A defesa olha para trás e a arquibancada, para o céu. O gol é quase consequência. O passe, causa e poesia.

E aquele sorriso? Ele volta, discreto, como quem confirma um endereço. Não celebra a própria genialidade, mas celebra o casamento perfeito entre visão e execução. Sorriso de artesão que reconhece a obra pronta no primeiro risco.

Por isso, quando Messi sorri antes do passe, o futebol muda de nome por um instante: deixa de ser jogo e vira revelação. E nós, privilegiados, testemunhamos o momento exato em que a ideia encontra o espaço – e o impossível encontra o caminho.


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