Crescer é inevitável, mas esquecer não precisa ser

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Um dia a gente acorda e o chão que antes era brincadeira vira caminho sério.

As ruas deixam de ser aventuras, os dias deixam de caber em uma tarde.

A gente aprende a medir o tempo, a pesar as palavras, a esconder o choro.

Aprende a dizer “tudo bem”, mesmo quando o peito grita “não está”.

Mas lá dentro, bem fundo, ainda mora o riso que não sabia de dor, o olhar que achava o mundo imenso, o coração que acreditava sem condição.

Crescer é inevitável: vem com as contas, com as partidas, com o cansaço e com o medo.

Mas esquecer… ah, esquecer não precisa ser.

Não esquece o cheiro do caderno novo, nem o gosto do bolo quente da mãe.

Não esquece o primeiro “eu te amo”, dito com vergonha e verdade.

Não esquece quem você era antes de o mundo te ensinar a se proteger.

Guarda a criança.

Aquela que ria alto, que acreditava nas estrelas, que via mágica em qualquer coisa.

Guarda, porque é ela que vai te lembrar, um dia, que o amor ainda é simples, e que o tempo…

bom, o tempo só envelhece quem esquece de viver.


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