Ah, felicidade, onde te escondeu?
Foi sonho ou foi verdade?
Chegou leve, sem que eu pedisse,
e partiu sem deixar saudade.
Tive nas mãos por um segundo,
num riso breve, num toque, um olhar. Pena não conseguir guardar.
Recordo tua voz como quem lembra
de alguém que já partiu faz tempo.
Ecoa em mim, como uma sombra,
como o vazio dentro do peito.
Estava lá quando minha mãe cantava baixinho enquanto eu chorava.
Por que é assim, tão passageira?
Por que não fica, mesmo implorada?
Por que dói tanto te lembrar?
Talvez porque quando te temos, não sabemos. E quando percebemos, já foste.
Se voltar, que seja silêncio,
não grite promessas que não vai cumprir.
Só me olha fundo, só me seja imenso,
mesmo que venha só pra partir.
Se for pra chorar, que seja por ti.
Por tudo o que fomos quando você estava aqui.
Felicidade, se for só lembrança,
ao menos seja doce, seja leve, seja luz.
Mas se ainda houver em mim esperança,
volta e me reconduz.
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