System of a Down: caos, consciência e catarse

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É claro que eu vou escrever sobre o System, vou eu perder o hype? Fato é que assisti ao show dos caras e o que vivi foi avassalador.

O System of a Down não é apenas uma banda. É um grito. Um soco na mesa. Uma colisão entre arte e ativismo, entre fúria e finesse, entre riffs cortantes e reflexões políticas cruas demais para a rádio, mas necessárias demais para o silêncio.

Nascidos no solo fértil (e por vezes explosivo) de Los Angeles, mas com raízes profundas na Armênia, Serj Tankian, Daron Malakian, Shavo Odadjian e John Dolmayan criaram, nos anos 90, um som que se recusa a ser engaiolado.
Não é metal, mas é pesado.
Não é punk, mas é rebelde.
Não é só música — é manifesto.

Quando a maioria cantava sobre festa, amor e ego, o System cantava sobre genocídio, guerra, corrupção, alienação e injustiça social.
Falavam de verdade — e não suavizavam nada.
Transformaram dor em melodia, indignação em arte, e fizeram da fúria um instrumento tão afinado quanto qualquer guitarra.

Em um mundo onde as vozes mais importantes são frequentemente abafadas, o System of a Down nunca pediu permissão para falar.
Eles berraram.
E o mundo ouviu.

Álbuns como Toxicity (2001) e Mezmerize (2005) não só venderam milhões, mas moldaram uma geração. “Chop Suey!”, “B.Y.O.B.”, “Aerials”, “Question!” — cada música é uma montanha-russa emocional que vai da suavidade melódica à explosão visceral, tudo em poucos minutos.

Mas talvez o mais fascinante sobre o System seja sua coerência com a própria essência.
Mesmo com pausas longas, com discordâncias internas, com expectativas comerciais, eles nunca se venderam. Continuam sendo um ato raro: uma banda de protesto com alcance global. Uma ponte entre arte e ativismo. Um lembrete de que a música ainda pode incomodar, provocar, transformar.

E mesmo que eles nunca mais lancem um álbum, o legado está cimentado: o System of a Down ensinou a muitos de nós que pensar dói, mas silenciar dói mais.


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