O homem que fez de cidadãos comuns, pessoas extraordinárias

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Quantas foram as figuras comuns, ordinárias, sem qualquer apelo popular que Jô Soares transformou em grandes histórias de vida?

Jô Soares nadou sempre contra a maré. Quando todos quiseram quinze minutos com figuras públicas, Jô deu espaço diário, em uma das maiores emissoras das Américas, para o mais comum brasileiro, deu voz ao povo, foi sempre popular.

Gênio e cidadão do mundo, Jô Soares foi o maior entrevistador brasileiro de todos os tempos. Ninguém dominou tanto a arte de fazer do anônimo o mais extraordinário personagem.

Jô Soares foi brilhante porque tinha o dom de manter nossas atenções e nosso interesse em conversas com pessoas que, por vezes, estavam andando ao nosso lado nas ruas, estavam sentadas ao nosso lado em restaurantes, estavam ao nosso lado nos ônibus, mas que nunca demos a chance de conhecer e entender o quão interessantes eram.

Jô foi o último gênio de uma geração única de humoristas brasileiros. Uma geração que hoje não é conhecida e seria, sem a menor dúvida, cancelada simplesmente por ser incompreendida.

Em um momento do mundo onde tudo é superficial, onde nada é intenso e profundo, perdemos uma pessoa ímpar e referência.

O mundo fica, certamente, um pouco menos inteligente e sábio hoje.


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