Eu não sei se o que eu escrevo aqui atinge alguém ou as pessoas que eu quero atingir, mas a verdade é que isso pouco importa. É fato que eu escrevo por um propósito, com destinos determinados dentro da minha cabeça com antecedência, mas eu também sei que isso aqui é muito mais para mim do que para os outros. Não é um diário, mas poderia ser. Talvez seja um diário, pensando bem. Em tudo eu estou. Sempre foi sobre o autor e não sobre o resto.
Para escrever a gente precisa de inspiração e leitores, ou isso não faria sentido algum. Eu sou meu leitor. Todos os dias eu me desafio a escrever sobre algo. Hoje eu tentei falar sobre a vida adulta, por exemplo. Sobre os desejos da vida adulta, sobre as realizações da vida adulta, sobre as frustrações da vida adulta. Eu risquei, rabisquei e não saí do lugar. Fui e voltei, escrevi e deletei, reli e não gostei, fiz tentativas e me frustrei. Definitivamente não tenho esse talento. Eu não sei escrever sobre o que eu não estou sentindo.
Durante um bom tempo eu tentei escrever sobre as pessoas que me cercam. Por algum motivo achei que seria mais fácil imaginar o que o outro faria em uma situação hipotética do que o que eu sentiria se lá estivesse. Escrevi sobre os segredos de meu pai, sobre as festas que não fui, sobre as amizades que não fiz, sobre os amores que não conquistei. Eu achei que escrever fosse um exercício de imaginação, de colocar no papel uma história qualquer que formasse um texto coeso. Eu errei até o dia que acertei. Eu errei até o dia que entendi que, para mim, escrever é entregar aos que me leem os mais íntimos dos meus sentimentos.
Nossa individualidade nos obriga a desenhar nosso próprio trajeto, singular e único. É como ensina um sábio dito popular:
O corcunda sabe como se deita!
Somos todos corcundas.

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