Perdi um grande amigo da adolescência. Ele se foi, repentinamente, e eu fiquei quase três meses sem saber o que pensar.
Poucos meses antes de partir, o Nico me chamou nas redes sociais querendo marcar um reencontro, um desses em que colocamos o papo em dia depois de ficarmos quase cinco anos sem trocarmos ideias.
Engraçado como quando esses convites de amigos do passado surgem nós sempre temos algo para fazer: aparece um compromisso inadiável com a namorada, um encontro de família, um funeral de uma avó. Qualquer coisa é motivo para não nos deslocarmos de nossas casas até o bar do centro da cidade. É só quando você perde que você dá valor. A maior verdade já dita. Hoje eu sei.
Eu lembro de chegar no ensino médio sem ter muitos amigos. Duas pessoas aproximaram-se de mim imediatamente: o Nicolas e uma menina incrível chamada Juliana. Formamos um trio fantástico. Éramos os três mosqueteiros da escola São João Baptista. Éramos incríveis. O Nico sempre foi o mais incrível de nós. O Nico era a pessoa mais intensa que havia apresentado-se para mim até aquele momento da minha vida. Ainda hoje é. Numa dessas noites em que saíamos com o violão e as histórias ruas afora, o Nico contou uma sobre um garoto que sonhava em um mundo inteiro recheado de drag queens animando as pessoas nas ruas, um mundo cheio de amor e respeito. Ele era esse cara, esse cara sonhador. Esse cara incrível.
Eu nunca havia tido amigos assim até aquele cara surgir. Eu começava, nos corredores daquela escola, a vivenciar algo que eu nunca vou esquecer. Eu, a Ju e o Nico.
A última vez em que estivemos juntos foi em 2017. Foi em uma festa em que ele estava trabalhando como fotógrafo. Falamos pouco, demos algumas poucas risadas e só. Foi só. Foi nosso último momento juntos. Eu e ele. Eu e aquele cara incrível.
Me despeço de você Nico sem a oportunidade da despedida. Sem um último abraço, sem um último sorriso, sem uma última conversa, sem nada, mas cheio de tudo. O que vivemos juntos, nós três, jamais sairá de dentro do meu coração.
Você foi incrível, Nico. E sabe o que me conforta hoje, mesmo me culpando por não ter te dado um último abraço, ainda que tendo inúmeras oportunidades? O que me conforta é que eu sei que você viveu intensamente tudo o que quis viver. O que me conforta é que eu sei que ninguém mais do que você sabe o quão incrível foi aquele cara de cabelos platinados que dividiu com tanta gente tanto amor.
Nós não vamos nos encontrar novamente, mas por ter tido a oportunidade de viver aquele tempo com você e sua incrível amizade, sou eternamente grato.
Voa alto Nico, seja grande eternamente.

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