ÀQUELE SOTAQUE

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Eu tenho medo de esquecer. Qualquer coisa. Tenho medo de, simplesmente, perder a imagem das pessoas em minha cabeça. Tenho medo de não lembrar do som de suas vozes.

Outro dia eu precisei lembrar. Acordei com uma necessidade estranha. Lembrar é uma atividade estranha. Lembrar me faz feliz, triste, nostálgico. Esquecer me faz querer lembrar, e em um eterno looping eu vivo. E eu luto contra isso todos os dias. É bem verdade que torna-se cada dia mais difícil não esquecer. O passar do tempo é esquecimento e o tempo é impiedoso.

A capacidade de esquecer é pão com margarina. Já a de lembrar é raridade. E então eu escrevo. Eu escrevo para não esquecer. Eu escrevo para que eu possa, quando eu estiver esquecendo, encontrar as lembranças em algum lugar.


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