Eu gosto de escrever apenas por gostar de escrever. Sou, absolutamente, fascinado por essa arte medieval. Faço dessa arte um refúgio do mundo, uma porta para a liberdade, uma janela de onde posso gritar e ninguém vai ouvir, apenas ler e, quem sabe, sentir.
A verdade é que o escritor não erra. Ele nunca falha no trabalho. O escritor é uma espécie de alter ego do narrador. O escritor não gagueja. O escritor tem um corretor automático para tudo o que escreve, para tudo o que pensa, para tudo o que quer compartilhar com o mundo. Seus erros são, automaticamente, corrigidos. Ok, eu concordo que na maioria das vezes os textos não agradam e não “tocam” todos que os leem, mas perceba que, em momento algum, eu interrompi meu raciocínio. Enquanto você lê, pode imaginar um milhão de coisas, só não pode dizer que o texto está pausado ou sem ritmo. Você não sabe afirmar quanto tempo o escritor levou para finaliza-lo. A única coisa que você sabe é que, nos últimos cinco minutos está aqui, lendo um texto que pode ter sido concebido em meia hora ou em seis semanas. Eis aqui a grande vantagem de escrever e não falar.
O escritor é o que há de mais corajoso na terra. Esqueça as histórias dos príncipes que enfrentaram dezenas de monstros, para enfim ter o amor eterno de suas amadas. O escritor faz isso sem sair de casa. Ele grita através de suas palavras, às vezes de angústia, às vezes de sabedoria, tudo o que o príncipe precisa enfrentar para poder, finalmente, falar à sua bela. Através de suas canetas ou de seus teclados, entregam-se, de corpo e alma, aos que dos seus textos desfrutam.
Um dia saberemos o que um escritor fará quando desta arte não poder mais desfrutar. Até lá, sigam apreciando suas palavras, sejam elas digitadas com a ponta dos dedos ou escritas com canetas, mas que jamais são ditas com o som de suas vozes.

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