Eu sou interiorano. Nasci e cresci longe dos grandes prédios, das grandes matrizes, dos grandes centros. Minha vida resumiu-se, pelo menos nos últimos 20 anos, a casa, estudo e trabalho. Eu conhecia 80% das pessoas na minha cidade. O mais próximo da capital que eu vivia era quando, nos finais de semana, vinha para cá tomar cervejas e tentar conhecer pessoas “diferentes” das que eu costumava conhecer. Pois bem, agora eu vim viver na capital e todos os meus pensamentos e pré-conceitos foram destruídos.
Ao contrário do que eu imaginava, aqui as pessoas gostam mais ainda das coisas do interior. As pessoas gostam de passear com seus cachorros (eu nunca vi tantos cachorros em uma mesma cidade), de dar uma volta no parque, de tomar um chimarrão na frente de suas casas ou nas sacadas de seus apartamentos. Meus vizinhos gritam de suas janelas aquele ‘como você está?’ que eu pensei não existir aqui. A metrópole respira o interior. A metrópole sonha com seu lado interiorano todos os dias.
De segunda a sexta é o caos: o som dos carros, as paradas de ônibus lotadas, as estações de trem com interminável número de pessoas chegando e saindo. Tudo o que uma verdadeira metrópole tem. Mas nos finais de semana tudo muda. As pessoas só querem fugir de todas as preocupações e transtornos dos outros cinco dias que passaram. Àquele glamour que eu esperei viver não existe. E a verdade é que lá no fundo todos respiram e vivem o mesmo sentimento de tranquilidade e paz que só uma cidade de 50 mil habitantes podem te dar.
Eu estou me divertindo muito, gosto de viver aqui. Só preciso me adaptar melhor a essa metrópole consumidora de tudo o que eu tentei parar de consumir e talvez eu não devesse.
Eu não sei como são as outras metrópoles do mundo, mas Porto Alegre é, provavelmente, a mais interiorana metrópole que existe.
E é por isso que é tão incrível.

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